Por Sarah Marsh
LONDRES - 5 de agosto (Reuters) - Resumir milhares de anos
de história cultural em poucas horas é o verdadeiro desafio
olímpico que será enfrentado por Zhang Yimou na próxima
sexta-feira.
Zhang, mais conhecido no ocidente pela sua indicação para o
Oscar por "O Clã das Adagas Voadoras", é o diretor da cerimônia
de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim e tem a oportunidade
de mostrar para centenas de milhões de telespectadores o que o
país tem oferecido ao mundo.
"Isso tem a ver com o orgulho nacional, esta será de fato a
primeira medalha de ouro dos Jogos", disse à Reuters o
historiador Philip Barker.
"Em todos os Jogos há esse sentido, o de apresentar a nação
para o mundo, o que se tornou possível a partir de 1980, quando
a Olimpíada se tornou um grande negócio para a televisão."
A Coréia do Sul, último país asiático a sediar os Jogos,
usou a Olimpíada de Seul para promover seu novo status de
potência industrial e a cerimônia de abertura destacou o
isolamento de seu rival, a vizinha Coréia do Norte.
A Grécia usou a cerimônia de abertura dos Jogos de Atenas
para mostrar ao mundo sua grande contribuição para a cultura
ocidental e, implicitamente, para responder aos críticos que
duvidavam da capacidade do país em organizar um evento de
grande porte.
A cerimônia têm sido usada como plataforma para demonstrações
políticas, apesar de a Carta Olímpica proibir "qualquer tipo de
demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial...em
qualquer local ou outras áreas olímpicas".
Nos Jogos de 1936, na Alemanha nazista, as bandeiras com a
suástica obscureceram a bandeira olímpica.
Durante o desfile das delegações nos Jogos de Moscou, em
1980, muitos países protestaram contra a invasão da União
Soviética no Afeganistão. Muitas nações ocidentais boicotaram
aqueles Jogos.
A cerimônia de abertura dos Jogos de Sydney, em 2000, foi
marcada por um gesto de reconciliação nacional, quando a atleta
aborígene Cathy Freeman, que veio a ganhar a medalha de ouro
nos 400 metros, acendeu a chama olímpica.
"O objetivo de sediar os Jogos Olímpicos é provar para o
povo chinês que o resto do mundo aceita o Partido Comunista
Chinês como líder legítimo", disse David Wallechinsky, autor do
Livro Completo dos Jogos Olímpicos.