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Showbusiness e política colidem na cerimônias dos Jogos
(Ter, 05 Ago, 12h27)
Reuters
 

Por Sarah Marsh

LONDRES - 5 de agosto (Reuters) - Resumir milhares de anos de história cultural em poucas horas é o verdadeiro desafio olímpico que será enfrentado por Zhang Yimou na próxima sexta-feira.

Zhang, mais conhecido no ocidente pela sua indicação para o Oscar por "O Clã das Adagas Voadoras", é o diretor da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim e tem a oportunidade de mostrar para centenas de milhões de telespectadores o que o país tem oferecido ao mundo.

"Isso tem a ver com o orgulho nacional, esta será de fato a primeira medalha de ouro dos Jogos", disse à Reuters o historiador Philip Barker.

"Em todos os Jogos há esse sentido, o de apresentar a nação para o mundo, o que se tornou possível a partir de 1980, quando a Olimpíada se tornou um grande negócio para a televisão."

A Coréia do Sul, último país asiático a sediar os Jogos, usou a Olimpíada de Seul para promover seu novo status de potência industrial e a cerimônia de abertura destacou o isolamento de seu rival, a vizinha Coréia do Norte.

A Grécia usou a cerimônia de abertura dos Jogos de Atenas para mostrar ao mundo sua grande contribuição para a cultura ocidental e, implicitamente, para responder aos críticos que duvidavam da capacidade do país em organizar um evento de grande porte. A cerimônia têm sido usada como plataforma para demonstrações políticas, apesar de a Carta Olímpica proibir "qualquer tipo de demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial...em qualquer local ou outras áreas olímpicas".

Nos Jogos de 1936, na Alemanha nazista, as bandeiras com a suástica obscureceram a bandeira olímpica.

Durante o desfile das delegações nos Jogos de Moscou, em 1980, muitos países protestaram contra a invasão da União Soviética no Afeganistão. Muitas nações ocidentais boicotaram aqueles Jogos.

A cerimônia de abertura dos Jogos de Sydney, em 2000, foi marcada por um gesto de reconciliação nacional, quando a atleta aborígene Cathy Freeman, que veio a ganhar a medalha de ouro nos 400 metros, acendeu a chama olímpica.

"O objetivo de sediar os Jogos Olímpicos é provar para o povo chinês que o resto do mundo aceita o Partido Comunista Chinês como líder legítimo", disse David Wallechinsky, autor do Livro Completo dos Jogos Olímpicos.

 
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