Elencos recheados de jogadores de diversos países renderam a algumas equipes européias, como Chelsea e Liverpool, comparações com a ONU ou, em sentido negativo, com a torre de Babel. Outros grandes do continente, no entanto, têm preferido recrutar em um único país seu “núcleo duro”, como o Real Madrid sob o comando do alemão Bernd Schuster.
Recém-contratado junto ao Hamburgo, o meia holandês Van der Vaart encontrará no Santiago Bernabeu outros quatro colegas com os quais falar o próprio idioma: Van Nistelrooy (que preferiu se aposentar da seleção, alegando incapacidade de cumprir ao mesmo tempo os compromissos com o Real), Sneijder, Robben e Drenthe.
Na Espanha, o Barcelona havia se notabilizado nos anos 90, principalmente nos tempos de Louis van Gaal, como uma filial avançada da “laranja mecânica”. Overmars, Zenden e os irmãos Frank e Ronald de Boer foram alguns dos holandeses a passar por lá.
Antes, Johann Cruyjff -- que já havia sido estrela do clube como jogador – montara o “time dos sonhos” que obteve, com gol do holandês Ronald Koeman, o primeiro título europeu do Barcelona, batendo a Sampdoria por 1 x 0, em Wembley, na final da Copa dos Campeões de 1992, a última antes da criação da Liga dos Campeões.
Mais recentemente, Frank Rijkaard foi o treinador na campanha do segundo título europeu do clube (derrotando na final de 2006 o Arsenal por 2 x 1, em Paris) e do bicampeonato espanhol.
O próprio Rijkaard se notabilizou, como jogador, por integrar as fileiras de outra legião holandesa, ao lado de Van Basten e Gullit, no Milan que foi bicampeão europeu em 1989 (4 x 0 na final contra o Steaua Bucareste, em Barcelona) e 1990 (1 x 0 contra o Benfica, em Viena).
A semifinal de 1989, por sinal, talvez não tenha saído da lembrança dos dirigentes e torcedores mais antigos do Real Madrid: o Milan aplicou 5 x 0 em pleno Santiago Bernabeu, com gols dos três holandeses (e também de Carlo Ancelotti, atual técnico do Milan, e Roberto Donadoni, ex-treinador da seleção italiana).
Agora, com seus cinco talentosos holandeses, o Real Madrid adota postura mais semelhante à praticada no momento por Arsenal (com jogadores franceses), Milan (com a trinca estrelada Kaká, Ronaldinho e Pato) e Internazionale (com os argentinos predominando em um combinado Argentina-Brasil).
Por ironia do destino, a “holandização” do Real acontecerá quando os únicos jogadores do elenco a ostentar no momento o título europeu são nativos: Casillas e Sergio Ramos, que participaram (o primeiro como capitão) da campanha histórica da seleção espanhola na recente Eurocopa.