Eu acreditei
Seg, 07 Jul - 12h36 Yahoo! Esportes Exclusivo
Foi o melhor time da Libertadores-08. Capaz de eliminar de modo épico e mais que merecido campeões como São Paulo e Boca Juniors. Capaz de devolver uma derrota de 4 a 2 com um 3 a 1 em casa. Fosse outro regulamento, teria gritado “campeão” ao fim dos 90 minutos, no belíssimo Maracanã tricolor. Mas não era. E teve mais 30 minutos em casa para fazer um golzinho no fraquíssimo Cevallos.
E não fez. E ainda fez pior, perdendo três pênaltis nas mãos, pés e sei lá mais o que de Cevallos. O Flu caiu do cavalo. Mas em pé.
O Fluminense acabou sendo o que foi Renato desde a derrota em Quito. Portaluppi foi o porta-voz do sentimento pó-de-arroz que pintou as nuvens negras de Quito com as três cores vivíssimas.
Arrogância ou confiança? Ambas? Foi oba-oba de véspera, nas Laranjeiras ou a constatação prévia do que o bom time da LDU sentiria depois de fazer belo gol. Mais uma vez, menos de dez minutos foram suficientes para o empate. Nem meia hora se gastou para a virada. Não fosse a arbitragem (que sonegou um pênalti e impediu ataque letal de Cícero), o primeiro tempo teria quitado a dívida de Quito com juros e correção futebolística.
O que o apito tirou, Thiago Neves colocou no devido lugar, no canto do fraco Cevallos. O primeiro hatrick numa decisão de Libertadores. A vitória caiu do céu como Neves. Mas faltou algo para decidir nos 90 minutos. Faltou tudo a todos na prorrogação. Até para a arbitragem, que anulou lance de gol legal da LDU.
Pênaltis? O Sobrenatural de Almeida fizera o Fluminense desempatar segundos depois do gol de Adriano, no Maracanã; subira Washington mais que as torres são-paulinas, no terceiro gol; fritara o frango do goleiro do Boca, em Avellaneda; desviara o chute torto de Conca no gol da virada, na semifinal.
O Sobrenatural de Almeida estava escalado para dar os cinco chutes mais importantes em 106 anos de Fluminense.
(Perdão. Este era o texto até Cevallos catar três pênaltis de uma decisão que começou na quarta-feira e acabou na quinta-feira para a LDU. Mas que não vai terminar na história do Fluminense. O Maracanazo se repetiu como tragédia).
Que almas penadas e armas depenadas não tirem do Fluminense o orgulho pela bela campanha e pela bela festa. Talvez antes da hora. Mas muito justa por tudo de belo que vinha sendo feito.
FLAMENGO 3 X 0 NÁUTICO - Melhor campanha inicial da história do Brasileirão por pontos corridos, o Flamengo de Caio Júnior tem desempenho muito melhor que a encomenda. O melhor é que parece ter consciência de que o Brasileirão é looooongo e que não há bicho-bolão em campo. Parte do sucesso se credita ao treinador e, sobretudo, à manutenção da base de 2007.
SPORT 1 X 0 CRUZEIRO – A Ilha de Lost derrubou o vice-líder no segundo tempo. Com o meio-campo prejudicado pelo gramado ruim e que pesa demais na segunda etapa, a Raposa parou e bobeou no gol em jogada manjada rubro-negra. Justa com o melhor time no tempo final.
BOTAFOGO 2 X 0 GRÊMIO – Tiros longos deram a vitória a um Fogão que não sabia mais o que era vencer. E continua, é fato, sem jogar um grande futebol – como quase todos os rivais. O resultado acabou facilitada pela saída repentina de Roger, que vai ganhar o dele (e dos bisnetos) no Qatar. Sem o meia-atacante artilheiro, o Grêmio definhou. Como, de fato, desde o Gre-Nal, já não havia sido grande coisa.
PORTUGUESA 1 X 2 VITÓRIA – O segundo gol mais rápido da história do Brasileirão foi do rapidíssimo rubro-negro baiano. Mérito inegável de Dinei e de seu treinador, Vágner Mancini. Impressionante é que a bola estava aos pés da Lusa, e, em 9 segundos, já estava na meta da Lusa. Time que só acordou aos 16 minutos, quando já perdia por 2 a 0. E poderia ter perdido de muito mais. O Vitória é das melhores novas do nivelado BR-08.
ATLÉTICO-MG 1 X 1 PALMEIRAS – Não fosse Marcos, o desfalcado Galo teria goleado o não menos desfalcado campeão paulista. Mas veio o segundo tempo, o time de Gallo parou, e, na bola tão parada quanto o clássico pobre, Diego Souza fez um golaço de falta. Muito pelo jogo, mas ainda pouco por aquilo que se espera do Palmeiras. Do Atlético, com o elenco atual, a campanha poderia ser um pouco melhor. Mas não muito.
SÃO PAULO 1 X 1 IPATINGA – “Não jogamos nada”, bem definiu o mau jogo são-paulino o comandante do time. Muricy tem razão em cobrar mais do elenco bicampeão brasileiro. Mas ele sabe que, exceto Rogério, não existem craques no Morumbi. Tanto que se não fosse o craque-bandeira da meta, o Ipatinga teria vencido, ao ritmo do ótimo Adeílson. A propósito: pelo que jogou em São Januário, pelo que mostrou no Morumbi, o Ipatinga pode se superar e sonhar.
ATLÉTICO-PR 1 X 0 SANTOS – Não foi uma grande atuação do Furacão. Mas foi um jogo mais concentrado e equilibrado que no Atletiba. Aproveitando-se da bola parada e da má fase santista, a vitória foi justa. O Santos irá melhorar com Fabiano Eller, Michael e Cuevas. Vai ganhar boa saída pelos lados. Mas seguirá sofrendo por um mau tempo no campeonato.
FIGUEIRENSE 2 X 1 VASCO – Bela virada do Figueira de Cleiton Xavier, dos melhores jogadores do BR-08. O que não tira de Antonio Lopes a possibilidade de atuar outras vezes com Morais, Jean, Leandro Amaral e Edmundo. Há como vencer desse modo.
INTER 3 X 0 CORITIBA - Taison. O meia-atacante é o nome da recuperação colorada. Com ele, o time ganha audácia, volume, peso e velocidade. Por tabela, Alex de volta ao excelente nível da temporada. Não é um Inter tão impetuoso como o de Abel. Até porque o elenco forçadamente é diferente. Mas é time para se olhar com outros olhos. A propósito, o Coxa que abra os próprios. Não é time para raspar o rebaixamento.
GOIÁS 1 X 0 FLUMINENSE – Golaço de Iarley. Vitória justa esmeraldina. De fato, o Brasileirão não será a brincadeira imaginada por Renato Gaúcho.