Acostumado a vencer, Anderson quer "entrar para história" com ouro inédito
Qui, 31 Jul - 11h17 Agência EFE
(corrige ano da Libertadores no 15º parágrafo) Rio de Janeiro, 31jul (EFE). - Uma das principais estrelas da equipe que representará o Brasil no torneio de futebol masculino nos Jogos Olímpicos de Pequim, o meia Anderson disse em entrevista exclusiva à Agência Efe que pretende ajudar sua geração a "entrar para a história" com a conquista da inédita medalha de ouro.
Apesar de ter apenas 20, o jogador nascido em Porto Alegre coleciona títulos e parece lidar bem com a pressão e a responsabilidade de ser um dos grandes nomes de uma equipe da qual se espera muito.
"Sempre gostei de desafios e tenho muita vontade de vencer. Uma medalha de ouro iria marcar esta geração para sempre", disse à Efe o jogador, esbanjando auto-confiança.
De fato, Anderson mostrou ao longo de sua carreira que não se esconde nos momentos decisivos. Em 2005, ainda com 17 anos, fez o gol que levou o Grêmio de volta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. O clube gaúcho teve quatro jogadores expulsos, mas conseguiu vencer por 1 a 0 a partida que ficou conhecida como Batalha dos Aflitos.
Mais tarde, depois de ser bicampeão português pelo Porto, o meia ajudou o Manchester United a conquistar o Campeonato Inglês. Além disso, converteu sua cobrança na disputa de pênaltis na final da última Liga dos Campeões, também vencida pelos comandados do escocês Alex Ferguson.
O jogador também participou das seleções brasileiras de base e chegou a vencer o Sul-americano sub-17 em 2005. Experiência que ele diz ter sido muito importante na sua formação como jogador, especialmente porque é algo valorizado pelo técnico Dunga.
"Acho que toda experiência que conquistei nas seleções de base vai ser importante por toda a minha carreira. O Dunga e o Jorginho também fizeram parte dessas equipes e acredito que valorizem isso", comentou.
Mais do que tentar levar uma inédita medalha de ouro para casa, o meia do Manchester United quer aproveitar a chance para se consolidar de vez na seleção principal - e, para isso, está disposto a jogar do jeito que Dunga precisar. O meia ofensivo de origem atua mais recuado na Inglaterra, como um segundo homem.
"Adaptei-me muito bem atuando um pouco mais recuado. Na verdade, quero mesmo é estar em campo e o Dunga vai saber optar pela minha melhor colocação de acordo com os jogadores que têm à disposição", afirmou.
Segundo Anderson, o torneio olímpico, mesmo sendo uma competição para menores de 23 anos, tem o mesmo peso de qualquer outra.
"Temos craques atuando nas melhores equipes do mundo com menos de 23 anos", lembrou.
Da mesma forma que ocorre em qualquer competição, a seleção brasileira será o principal foco do torneio de futebol. Com isso, é provável que os adversários preparem uma marcação forte e especial, algo que não preocupa Anderson.
"O futebol da Inglaterra já é muito pegado, um jogo com muita velocidade. Acho que este meu jeito ajudou na minha rápida adaptação ao estilo inglês", disse.
Para o sucesso da seleção, destacou a importância de Ronaldinho Gaúcho, que já parece ter assumido o posto de líder de um time de jovens.
"Sua presença em Pequim será fundamental para o sucesso da seleção brasileira", ressaltou o meia do Manchester United, que disse que sempre admirou o futebol de Ronaldinho - outra cria do Grêmio.
"Admirava vários jogadores na minha época de torcedor, como aquele time do Grêmio de 1995, que ganhou a Libertadores, com Danrlei, Paulo Nunes, Jardel. Mais tarde, adorava ver o Ronaldinho jogar no Olímpico e quando surgi muitas comparações foram feitas", comentou Anderson.
Conquistar o ouro será uma tarefa difícil, já que muitas das melhores gerações do futebol brasileiro tentaram o título e falharam. No entanto, isso não tira o otimismo do meia do United, que disse querer deixar seu nome marcado na história do esporte.
"Todo atleta sonha em representar seu país numa olimpíada. Sem dúvida é um importante passo que estou dando na minha carreira.
Espero entrar para a história em mais uma grande decisão", concluiu.
EFE